Líder Religioso Preso por Abusar de Menores em Igreja no Guará

Investigação e Prisão

Polícia alega que a igreja tentou abafar as denúncias. Instituição emitiu nota negando as acusações – (crédito: Divulgação)

Um líder religioso de uma igreja evangélica no Guará foi preso temporariamente sob acusações de estupro de vulnerável. O suspeito, de 30 anos, estaria envolvido em abusos sexuais contra adolescentes do sexo masculino ao longo de cerca de seis anos, entre 2019 e 2024. Os crimes ocorreriam dentro da Igreja Batista Filadélfia, onde ele exercia funções de liderança.

As investigações foram conduzidas pela 4ª Delegacia de Polícia (Guará 2) e apontaram um padrão sistemático de abuso, que incluía manipulação psicológica e abuso de confiança. O homem usava sua posição para se aproximar dos adolescentes, ministrando cursos sobre sexualidade e integridade sexual, atraindo-os sob um pretexto de orientação e confiança.

Método de Abordagem

O delegado Marcos Loures, responsável pela investigação, detalhou como o suspeito se aproximava das vítimas. Ele ganhava a confiança dos pais, aproximava-se dos adolescentes convidando-os para atividades supostamente inofensivas, como assistir a filmes em sua casa, ocasiões em que prometia a presença de outros jovens. Contudo, ao chegarem, os adolescentes se viam sozinhos com ele, momento em que os abusos começavam.

Os abusos ocorriam tanto em ambientes domésticos quanto nas instalações da igreja. Em alguns casos, durante festas de pijama, ele dormia sozinho com os adolescentes, criando oportunidades para iniciar os abusos. Até o momento, quatro vítimas foram ouvidas formalmente, com idades entre 10 e 17 anos à época dos incidentes, e mais oito possíveis vítimas estão em processo de oitiva.

Atitude do Suspeito e Reação das Autoridades

Durante o interrogatório, o delegado-adjunto Hébert Léda descreveu a atitude do suspeito como fria e calculista. O homem teria fornecido detalhes dos atos, alegando que não se tratavam de abuso, mas sim de ‘brincadeiras’. Léda foi enfático ao refutar essa alegação, destacando que esse tipo de comportamento é considerado criminal dentro do direito penal, visto que o suspeito já é enquadrado como um estuprador em série por seus atos repetidos.

Além disso, a investigação revelou tentativas de abafar informalmente as denúncias, mesmo com o conhecimento prévio dos fatos por parte de membros da congregação. Segundo o delegado, houve esforços para minimizar os eventos e desencorajar as denúncias.

Medidas Judiciais e Resposta da Igreja

Diante das evidências, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal decretou a prisão temporária do investigado por 30 dias, juntamente com outras medidas cautelares. Entre essas medidas estão o afastamento de qualquer função de liderança religiosa, a proibição de aproximação das vítimas, quebra de sigilos telemáticos e telefônicos e buscas domiciliares.

A Igreja Batista Filadélfia emitiu uma nota expressando pesar e indignação diante dos acontecimentos. A instituição nega que o suspeito ainda exercesse funções de liderança em 2025 e rejeita as acusações de tentativa de encobrir o caso. A nota enfatiza que sempre foi dada orientação para que as famílias procurassem as autoridades policiais. A igreja também esclareceu que o suspeito nunca foi pastor, mas atuou como voluntário no Ministério de Adolescentes.

Quando perguntei, ele relatou os fatos com detalhes. Inclusive, em certo momento ele falou: ‘Não, mas isso não é abuso, isso foi só uma brincadeira’.

AnoOcorrências RegistradasVítimas FormaisPossíveis Vítimas
2019-2024Vários48

Polícia alega que a igreja tentou abafar as denúncias. Instituição emitiu nota negando as acusações -  (crédito: Divulgação)

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Polícia alega que a igreja tentou abafar as denúncias. Instituição emitiu nota negando as acusações – (crédito: Divulgação)

Um líder de uma igreja evangélica no Guará foi preso temporariamente, acusado de cometer estupro de vulnerável contra adolescentes do sexo masculino. Segundo a investigação conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia (Guará 2), o homem, de 30 anos, tinha um padrão sistemático para realizar os abusos sexuais, que teriam ocorrido ao longo de aproximadamente seis anos, entre 2019 e 2024, contra membros da Igreja Batista Filadélfia.

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A prisão ocorreu na última sexta-feira, mas as informações foram divulgadas ontem. As investigações, que tiveram início em novembro deste ano, apontam para uma ação baseada em manipulação psicológica e abuso de confiança. O suspeito utilizava sua posição de liderança religiosa e ministrava cursos temáticos sobre sexualidade e “integridade sexual” voltados para adolescentes. 

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O delegado Marcos Loures, chefe da unidade, detalhou o método utilizado pelo suspeito para se aproximar das vítimas. “Pela posição dele, tinha a confiança dos pais, se aproximava de adolescentes, se tornava íntimo, convidava para situações como ir na casa dele assistir a um filme, e falava que ia ter outros adolescentes lá. Chegava lá só tinha o adolescente vítima, e aí ele acabava iniciando os abusos”, explicou. 

O policial confirmou que os crimes ocorriam tanto em ambiente doméstico quanto na igreja. “Teve situações que aconteceram dentro da igreja, em festa de pijama, onde ele estava dormindo sozinho com o adolescente, e iniciava abusos”, detalhou. Até o momento, quatro vítimas foram formalmente ouvidas, com relatos que descrevem uma progressão de condutas abusivas. À época dos fatos, as vítimas identificadas tinham entre 10 e 17 anos. Oito possíveis vítimas estão em processo de oitiva, o que pode ampliar o alcance dos crimes apurados.

Estuprador em série

O delegado-adjunto Hébert Léda, que participou do interrogatório, descreveu a atitude do suspeito como extremamente fria ao ser questionado sobre os atos. “Quando perguntei, ele relatou os fatos com detalhes. Inclusive, em certo momento ele falou: ‘Não, mas isso não é abuso, isso foi só uma brincadeira’.” 

Léda foi categórico ao rebater essa alegação. “Não existe esse tipo de brincadeira. Se for uma brincadeira, foi uma criminosa e de muito mau gosto. Pelo direito penal, por ele ter cometido mais de quatro estupros de vulnerável, com um padrão de comportamento, ele já é considerado um estuprador em série.”

Segundo o delegado, a análise de registros também indicou tentativas de abafamento informal das denúncias, mesmo após o conhecimento prévio dos fatos por pessoas do convívio institucional do suspeito. “Havia vários comentários na congregação e as informações que temos é de que as lideranças estavam tentando acobertar ou minimizar os fatos”, afirmou. 

Diante das evidências, a Justiça do Distrito Federal decretou a prisão temporária do investigado por 30 dias e determinou uma série de medidas cautelares. Entre elas, estão o afastamento imediato do suspeito de qualquer função de liderança religiosa, a proibição de se aproximar das vítimas, a quebra de sigilos telemático e telefônico e a realização de buscas domiciliares.

Posicionamento

A Igreja Batista Filadélfia emitiu uma nota, na qual manifesta “profundo pesar e indignação diante dos fatos noticiados”. O primeiro ponto contestado foi a alegação de que o investigado ainda exercia funções. “É inverídica a afirmação de que o investigado continuava atuando na instituição, pois ao longo de todo o ano de 2025 ele já não exercia nenhuma função de liderança na igreja”, afirma o texto.

A instituição refutou as acusações de que teria tentado abafar o caso. “Refutamos categoricamente qualquer alegação de que houve tentativa de encobrir os fatos ou desestimular as famílias a procurarem as autoridades”, diz a nota. A igreja declarou que, em todos os atendimentos, a orientação dada às famílias foi de “total liberdade e incentivo institucional para buscar as autoridades policiais”.

A nota alega que “o investigado não é, nem nunca foi, ‘pastor’ da instituição”. “Ele atuava no passado como membro voluntário em funções de liderança no Ministério de Adolescentes”, completou. Sobre o fato de o suspeito ser filho do Pastor Presidente, a igreja afirmou que “a relação de parentesco (…) não interferiu, nem jamais interferirá, nas medidas disciplinares adotadas pelo Conselho Disciplinar ou na colaboração com a Polícia Civil e o Poder Judiciário”.

Por Carlos Silva

Fonte: correiobraziliense.com.br

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