Trajetória e suspeitas

Marcela, Marcos e Amanda estão presos por suspeita de envolvimento nos homicídios – (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Amanda Rodrigues de Sousa, uma técnica de enfermagem de 28 anos, encontra-se no epicentro de uma investigação policial por suposta coautoria em três mortes ocorridas no Hospital Anchieta. A profissional, que já atuou em pelo menos cinco hospitais privados no Distrito Federal, também participou de processos seletivos para a rede pública de saúde. Os outros dois suspeitos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, também participaram de seleções, mas foram eliminados.
No momento da prisão, Amanda trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos de um hospital particular em Taguatinga e na Asa Norte, onde permaneceu por aproximadamente nove meses. No Hospital Anchieta, sua permanência foi de pouco mais de um mês, similar ao período em que Marcos trabalhou na mesma instituição.
Experiências anteriores
Amanda desempenhou funções em diversos hospitais, com unidades localizadas em regiões como Asa Sul, Asa Norte, Taguatinga Sul, Lago Sul, Águas Claras e Gama. Suas responsabilidades incluíam a administração de medicamentos, atendimento aos pacientes e serviços relacionados à enfermagem cirúrgica. Segundo informações de redes sociais, Amanda começou sua atuação na área em 2019.
Em novembro de 2021, ela participou de um processo seletivo para uma vaga de técnica em enfermagem no Hospital da Criança de Brasília (HCB), mas não obteve sucesso. Marcela também tentou entrar na instituição como jovem aprendiz em junho de 2022, mas foi eliminada. Marcos, por sua vez, candidatou-se a uma vaga de técnico de enfermagem no Hospital de Base, por meio do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), em setembro de 2024, mas também não foi aprovado.
Investigação e suspeitas
Os três suspeitos estão atualmente presos enquanto as investigações prosseguem para determinar se outras pessoas estiveram envolvidas nos crimes e se mortes com características semelhantes ocorreram em outros hospitais nos quais eles trabalharam. A principal acusação contra Marcos é a de administrar medicamentos em doses excessivas a pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta. Em um dos casos, ao não conseguir êxito, ele teria aplicado desinfetante na veia de Miranilde Pereira da Silva, uma professora de 75 anos.
Amanda e Marcela são investigadas por coautoria e negligência. Nas redes sociais, Marcos se apresenta como casado e membro da igreja Congregação Cristã do Brasil. Os investigadores apontam que ele atua como técnico de enfermagem há pelo menos cinco anos. Além disso, ele é estudante de fisioterapia e começou a trabalhar na UTI neonatal de outra instituição particular após ser desligado do Anchieta devido às suspeitas levantadas pela Comissão de Óbitos do hospital.
Relações e contexto
Amanda trabalhou em outro setor do Hospital Anchieta, mas mantinha uma amizade de longa data com Marcos. Em seu perfil no Instagram, ela se descreve como mãe, cristã, intensivista e instrumentadora cirúrgica. Durante um dos depoimentos, Amanda confessou ter um relacionamento extraconjugal com Marcos, seu colega de trabalho. Marcela, que era nova na instituição, estava sob a supervisão de Marcos.
Os três indiciados enfrentam acusações de homicídio doloso qualificado por meio insidioso, devido ao fato das vítimas não serem informadas sobre a administração de substâncias nem terem a possibilidade de defesa, considerando que estavam acamadas. As penas para esses crimes variam de 12 a 30 anos de reclusão. Enquanto Marcos responderá pelos três homicídios, Marcela e Amanda responderão por coautoria em dois deles, já que não estavam presentes em uma das ocorrências.
Os três técnicos de enfermagem suspeitos nunca tiveram nenhum vínculo empregatício com o Instituto.
| Nome | Idade | Função | Situação |
|---|---|---|---|
| Amanda Rodrigues de Sousa | 28 | Técnica de Enfermagem | Preso |
| Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo | 24 | Técnico de Enfermagem | Preso |
| Marcela Camilly Alves da Silva | 22 | Técnica de Enfermagem | Preso |
Por Letícia Mouhamad
Fonte: correiobraziliense.com.br