São Paulo enfrenta queda na confiança do transportador, revela CNT

Panorama da confiança no setor de transporte rodoviário de cargas

Imagem de Eixo SP / Divulgação

Nesta segunda-feira, a Confederação Nacional de Transportes (CNT) apresentou a mais recente edição do Índice de Confiança do Transportador (ICT), um estudo meticuloso que avalia o sentimento dos empresários do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) sobre o ambiente econômico. Este levantamento é crucial para analisar o setor, fornecer suporte técnico, auxiliar ações de representação institucional e orientar decisões estratégicas dos agentes do segmento.

Os dados revelam uma queda notável na confiança dos transportadores rodoviários de cargas no estado de São Paulo, com o índice geral marcando 45,3% no fim do segundo semestre de 2025. Esse declínio significativo no otimismo dos empresários se acentuou desde o início da pesquisa, em 2023, refletindo preocupações crescentes com a economia e a operação empresarial.

Desafios econômicos e empresariais impactam negativamente a confiança

A redução mais acentuada foi observada nas percepções sobre as condições atuais da economia e dos negócios, que despencaram para 34,3% no segundo semestre de 2025. Isso representa uma queda de 2,9 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre do mesmo ano e uma diminuição de 12,0 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números ilustram um cenário econômico desafiador, que tem afetado profundamente a confiança dos empresários.

Carlos Panzan, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), destacou a complexidade do ambiente atual. “O transportador vivencia diariamente os desafios de um cenário econômico mais restritivo. Custos elevados, dificuldade de planejamento e incertezas regulatórias afetam diretamente a confiança dos empresários, especialmente em um setor que necessita de previsibilidade para investir e operar”, comentou Panzan.

Expectativas futuras e fatores determinantes da confiança

Apesar das dificuldades, o índice que reflete as expectativas para a economia brasileira e a atividade empresarial nos próximos seis meses chegou a 50,8%, mostrando um ligeiro aumento de 0,6 ponto percentual em comparação com o primeiro semestre de 2025. No entanto, houve uma redução de 2,7 pontos percentuais se comparado ao segundo semestre de 2024.

Os empresários paulistas apontaram várias razões para o declínio na confiança, incluindo o alto nível da taxa Selic, a escassez de mão de obra qualificada, a queda na atividade industrial que leva à ociosidade da frota, a fiscalização insuficiente das normas setoriais, e a percepção de uma política fiscal expansionista. Além disso, a insegurança jurídica e as incertezas em relação à reforma tributária são preocupações persistentes. Fatores sazonais e institucionais, como anos eleitorais, grandes eventos esportivos e um excesso de feriados, também foram mencionados como influentes na confiança.

Resiliência dos transportadores e adaptação ao cenário adverso

Apesar do ambiente doméstico desfavorável, os transportadores demonstram resiliência, sustentando expectativas futuras na eficiência interna e em estratégias de adaptação, como o uso de tecnologias inovadoras, a requalificação de equipes e a diversificação da carteira de clientes.

Carlos Panzan enfatiza a importância das entidades no processo de adaptação: “A FETCESP, junto com o Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT), tem trabalhado continuamente na qualificação dos motoristas, formação profissional e cuidados com a saúde e o bem-estar dos trabalhadores do transporte. Essas iniciativas melhoram a eficiência, reduzem riscos e preparam o setor para enfrentar melhor os desafios do mercado”, explicou Panzan. Mesmo em um cenário adverso, o setor de Transporte Rodoviário de Cargas continua se estruturando e buscando alternativas para recuperar a confiança.

O transportador sente no dia a dia os efeitos de um cenário econômico mais restritivo. Custos elevados, dificuldade de planejamento e incertezas regulatórias acabam impactando diretamente a confiança dos empresários, especialmente quando falamos de um setor que depende de previsibilidade para investir e operar.

Fonte: blogdocaminhoneiro.com

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