O incidente e a prisão em flagrante

Funcionária do Hospital Regional de Santa Maria foi interceptada por seguranças na portaria da unidade de saúde com o bebê de apenas algumas horas – (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Uma cena inusitada e perturbadora agitou o Hospital Regional de Santa Maria (HSM), no Distrito Federal, durante a tarde do último sábado. Eliane Borges Tavares, uma técnica de enfermagem de 44 anos, tornou-se o centro das atenções ao ser detida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sob a acusação de tentar raptar um recém-nascido da maternidade local. O bebê, com apenas algumas horas de vida, foi salvo graças à rápida intervenção da equipe de segurança do hospital.
No momento em que Eliane tentava atravessar a portaria principal carregando a criança, o alarme foi soado pela equipe de vigilantes, que a interceptou antes que ela pudesse desaparecer com o bebê. A mãe da criança, ainda sob efeito de anestesia de um procedimento cirúrgico recente, não pôde intervir durante o ocorrido, destacando a vulnerabilidade do momento.
O caso foi rapidamente encaminhado para a 20ª Delegacia de Polícia do Gama. Durante a abordagem, Eliane apresentou comportamentos e justificativas confusas. Primeiro, ela afirmou que sua intenção era apenas testar a eficácia do sistema de segurança do hospital, mas em seguida, visivelmente alterada, pediu desculpas mencionando problemas pessoais.
O contexto pessoal e a defesa da investigada
O episódio, de acordo com a defesa de Eliane, está profundamente enraizado em uma tragédia pessoal recente. Em junho de 2025, Eliane perdeu seu filho no exterior, evento que abalou significativamente sua saúde mental. Desde então, ela tem enfrentado uma batalha contra as consequências emocionais deste luto, que inclui acompanhamento psiquiátrico e afastamento previdenciário de suas funções.
Retornando ao trabalho apenas em janeiro de 2026, Eliane continuou sob tratamento médico contínuo. A defesa enfatiza que a técnica de enfermagem estava ainda lidando com um estado emocional frágil e que isso deve ser considerado no contexto do ocorrido. A nota divulgada pelos advogados de Eliane reitera o respeito ao devido processo legal e a esperança de que os esclarecimentos necessários sejam apresentados oportunamente.
Medidas institucionais e segurança hospitalar
Diante da gravidade do caso, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela administração do HSM, agiu prontamente. A imediata identificação e contenção do incidente pela equipe de segurança demonstraram a eficácia dos protocolos rígidos em vigor na unidade. O IgesDF reforçou em comunicado a eficiência de seu sistema de segurança, que opera com rigor especialmente nas áreas de maternidade.
Além disso, a técnica de enfermagem foi afastada de suas funções de forma imediata. O instituto está conduzindo uma análise detalhada do ocorrido para garantir que medidas administrativas e legais sejam devidamente tomadas. A colaboração plena com as autoridades foi reiterada, com o objetivo de evitar qualquer risco futuro para os pacientes e funcionários.
Desdobramentos judiciais e medidas futuras
Após ser detida, Eliane Borges Tavares enfrentou uma audiência de custódia, na qual teve sua liberdade provisória concedida. No entanto, a gravidade do crime de subtração de incapaz, considerado inafiançável, continua a pairar sobre ela, aguardando novos desdobramentos judiciais.
O caso levanta questões sobre a saúde mental e o suporte adequado para profissionais da saúde, especialmente aqueles que vivenciam traumas pessoais profundos. A situação de Eliane evidencia a necessidade de um olhar mais atento para o bem-estar psicológico dos trabalhadores do setor, um tema que pode ter implicações significativas na segurança e no funcionamento das instituições de saúde.
O incidente no HSM não apenas serve como um alerta para reforçar ainda mais os procedimentos de segurança, mas também chama a atenção para a importância de um ambiente de trabalho que ofereça suporte e acompanhamento efetivo para seus colaboradores.
O IgesDF destaca que dispõe de equipes de segurança altamente qualificadas e treinadas, com atuação rigorosa especialmente nos fluxos das maternidades, que seguem protocolos estritos de controle, identificação e circulação, assegurando a proteção integral de pacientes e recém-nascidos.
Por Darcianne Diogo, Letícia Mouhamad e Paulo Gontijo
Fonte: correiobraziliense.com.br