Valor do diesel subiu 20 vezes mais do que os valores do frete no Brasil

Os sucessivos aumentos do valor dos combustíveis no Brasil tem impactado diretamente a rentabilidade dos transportadores, especialmente porque o valor dos fretes não tem acompanhado as altas do valor do diesel. De acordo com o Índice FreteBras do Preço do Frete (IFPF), entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2022, o custo do transporte por quilômetro rodado por eixo teve um aumento de apenas 1,96%, abaixo da inflação acumulada no período, enquanto o preço do diesel, no mesmo período, subiu 41,48%.

De janeiro para fevereiro de 2022, também houve um maior aumento do diesel (+1,69%) em relação ao preço do frete, que ficou praticamente estável (+0,23%).

“Foi justamente por causa das altas do valor do diesel que decidimos criar este subsídio de R$ 7 milhões, por meio de uma devolução de 10% sobre o valor do combustível, para caminhoneiros que abastecerem na nossa rede de postos parceiros, além de um desconto extra oferecido pelos postos de 5 a 10 centavos por litro. É uma forma de apoiar os caminhoneiros a manterem um pouco de rentabilidade nos fretes rodoviários”, ressalta Bruno Hacad, diretor de Operações da FreteBras.

A campanha anunciada pela FreteBras faz parte de um programa apelidado de “CalculaFrete”, lançado no ano passado, e que tem como objetivo apoiar os caminhoneiros na gestão dos custos do transporte. A empresa afirma que é uma proposta para empoderar ainda mais os motoristas e ajudá-los a organizar seus gastos e manter o lucro das viagens.

“Estamos convidando os postos do Brasil todo a se unirem à nossa campanha para ajudar os motoristas e o setor em geral. Juntos, poderemos reduzir um pouco o impacto das altas que estão afetando demais os caminhoneiros”, destaca Hacad.

Valor do frete é maior no Sul e Sudeste

Os dados do IFPF mostram que o valor médio do frete por quilômetro por eixo no Brasil é de R$ 1,01, enquanto que o preço do diesel ficou em R$ 5,59. As regiões Sul e Sudeste apresentaram o quilômetro por eixo mais caro em fevereiro (R$ 1,02). Os valores mais baixos foram registrados no Nordeste (R$ 0,99) e Centro-Oeste (R$ 0,97).

Na comparação entre janeiro e fevereiro de 2022, a maior alta do preço do frete foi registrada no Sul, que aumentou 1,53%. Isso aconteceu por ter sido percebido um aumento mais acelerado no número de fretes do que o volume de caminhões disponíveis. Enquanto que o número de fretes publicados na plataforma da FreteBras subiu 4,69%, o volume de veículos na região caiu 5,51%, levando para cima o valor do frete.

No Centro-Oeste, a alta no preço do frete foi de 0,92%, ficando praticamente estável. Naquela região, a lei de oferta e demanda também se aplicou, já que o pequeno aumento de veículos disponíveis na região (0,87%) não acompanhou o alto crescimento de fretes publicados na plataforma (16,46%).

No Sudeste, o preço do frete ficou praticamente estável, com leve aumento de 0,56%. O impacto das chuvas no período, principalmente em Minas Gerais, fez com que houvesse queda no volume de veículos disponíveis na região (-4,82%), sendo que o número de fretes publicados aumentou 12,17%.

Fretes do agronegócio são os mais caros entre os grandes setores

O índice da FreteBras levanta dados dos setores que mais movimentam a economia brasileira. A pesquisa mostra que os fretes do agronegócio foram os mais altos registrados em fevereiro de 2022, sendo fixados em R$ 1,03 por km rodado por eixo. Logo em seguida aparecem os fretes de produtos industrializados, que chegaram ao valor médio de R$ 1,00. Por fim há os fretes de insumos para construção, que ficaram em R$ 0,98 por km rodado por eixo.

Na variação anual, os fretes para produtos industrializados registraram aumento de 2,07%. No agronegócio, o valor dos fretes aumentou 0,87%. Já os fretes de insumos para construção caíram 0,54% em comparação com fevereiro de 2021.

Quando comparados os dados de janeiro a fevereiro de 2022, o agronegócio teve aumento de 0,66%. Os fretes de produtos industrializados registraram alta de apenas 0,12%. Já no setor de insumos para construção houve queda de 0,72% no valor do frete.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

Por Blog do Caminhoneiro

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